sábado, 14 de julho de 2012

Roma

Nem Pasárgada nem ambrosia
Nem Roma, vinho ou citações de Heráclito
É volátil
o canto da sereia; Homero.
No fundo ermo da libido
No sentido.
Nos sentidos.
Não há arma contra o – chamemo-lo marasmo.
Nem a Morsa nem Ulisses.
As Moiras tecem,
O masseter mastiga,
Nada me mitiga:
Nem Pasárgada nem ambrosia.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Debaixo do céu

Debaixo do céu
                                    debaixo do teto
                                                  E ainda
Por baixo das roupas
                                 Sob os cabelos
                                                  E ainda não
Debaixo da pele
                        Por dentro da boca
                                                  E ainda não sou
Embaixo dos músculos
                   Na cerne dos ossos
                                                  E ainda não sou eu
Debaixo
             do
                  céu

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Lisboa

Um dia a bibliotecária da escola me disse que
agente lê Fernando Pessoa
agente lê a biografia de Fernando Pessoa
e pensa que vale a pena
(se a alma não for pequena).
Mas - ela disse - não vale.
Pessoa era um doido
(e com todo direito a sê-lo)
mas você não tem que ser doido também
até por que você nunca vai escrever como ele mesmo.
Desde então eu só faço poema-piada.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Inventar-se

inverter-se (ser o contrário de si)
   verter-se (transbordar, fartar-se, se deixar jorrar, como um jato de água, do alto de um prédio)
        ter-se (captar a própria essência)
              se (uma incerteza).

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Ser você mesmo. É isso o que afirma o senso comum. "Seja você mesmo!" Como se eu fosse capaz de deixar de ser eu. Nada mais falso que esse imperativo. Nada mais falso que a pessoa que é ela própria o tempo inteiro. Ser você mesmo, como afirma o senso comum, é agir da mesma maneira independentemente da situação. É estar em frente ao espelho como se está em frente ao chefe. Um maneira de ser completamente impraticável. Não mudar. E nem aceitar que há o desconhecido em você. "Eu é um outro", é o que diz Rimbaud.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Não sei bem o que isso significa, mas o século XXI é a época em que a experiência não tem mais necessidade de ter sido vivida para ser considerada como tal. Se no barroco, um conhecimento qualquer só era real caso fosse experimentado pelos sentidos, na contemporaneidade não há nenhuma necessidade de que os sentidos comprovem algo. Participa-se de fatos que acontecem em outra parte do mundo e sentimos que de fato participamos desse evento.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012