domingo, 27 de setembro de 2015

FRAGMENTOS PARA ROMANCES NÃO ESCRITOS

1. "mascava chicletes com a boca aberta — gesto que soava insolente e juvenil."

2. "...a barba por fazer e a proeminência do maxilar inferior lhe conferiam certo ar de rudeza — mas todas essas impressões se dissipavam no momento em que se ouvia a sua voz: uma voz de criança que parecia não pertencer àquele corpo."
3."tinha olhos grandes amendoados e negros. Olhos que pareciam não envelhecer."
4."...o queixo para dentro e as orelhas de abano. Seus olhos estavam constantemente semicerrados. A simples visão de tal figura inspirava-me preguiça.
5. "...e seus gestos eram gelatinosos. A boca semi-aberta e a cabeça careca faziam-no parecer abobado. Algo desagradável e asqueroso se revelava por trás da excessiva diligência com que tratava a todos — Alfredov sentia que não havia osso algum por baixo daquele monte de gordura, assim como não havia qualquer sinceridade por trás de sua personalidade servil."

TRIUNVIRATO

Eu era imolado sob o sol à pino.
Me chamavam de Kiekergaard.
Esse não é meu nome - eu disse.
Mas falavam em línguas de índio.
Será dividido em três - disseram -
para que seja completo.
Eu entendi.
A minha pele - deram aos pombos.
A minha carne - deram à jaguatirica cujos olhos tinham a cor do mel.
São cristãos? - perguntei.
Hóstia; ablução.
Não - respoderam, em língua de índio.
E os meus ossos - misturaram ao cimento de um monumento.
Argos, a só naveloz, ó, leva-nos à sogra.
In girum imus nocte et consumimur igni (palíndromo medieval)

averta, ralo solar, à treva
É mono social: laico só nome.
Me giro, anátema. Oh, caos! Só acho a meta na origem.

nunça

nu
m
ni
nho
de
co
bra
nça
s(e)
pro
cu
ra
s
om

bra
e
des
ca
nço