sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Ser você mesmo. É isso o que afirma o senso comum. "Seja você mesmo!" Como se eu fosse capaz de deixar de ser eu. Nada mais falso que esse imperativo. Nada mais falso que a pessoa que é ela própria o tempo inteiro. Ser você mesmo, como afirma o senso comum, é agir da mesma maneira independentemente da situação. É estar em frente ao espelho como se está em frente ao chefe. Um maneira de ser completamente impraticável. Não mudar. E nem aceitar que há o desconhecido em você. "Eu é um outro", é o que diz Rimbaud.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Não sei bem o que isso significa, mas o século XXI é a época em que a experiência não tem mais necessidade de ter sido vivida para ser considerada como tal. Se no barroco, um conhecimento qualquer só era real caso fosse experimentado pelos sentidos, na contemporaneidade não há nenhuma necessidade de que os sentidos comprovem algo. Participa-se de fatos que acontecem em outra parte do mundo e sentimos que de fato participamos desse evento.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
O limite de deus é o tempo. Não o tempo em toda a sua amplitude, mas o oposto disso: O tempo em seu menor grau, uma fração do tempo. Deus não conhece o instante. Para o Eterno, o tempo não passa. E se o tempo não passa, não existe instante. Ou melhor, não existem instantes: existe apenas um instante que significa a própria existência.
domingo, 22 de janeiro de 2012
sábado, 26 de novembro de 2011
Fábula
Um porco caminhava no chiqueiro quando encontrou um pedaço de bacon frito. Como estava com muita fome, comeu rapidamente. Aquilo lhe provocou uma sensação deliciosa, que nunca experimentara igual. Ele começou então a buscar novamente esse prazer, procurando pelo alimento no quintal, na casa dos fazendeiros, por toda parte. Num dado dia, o porco, como animal inteligente que era, percebeu que o bacon era feito com a carne dos de sua espécie. E então parou de comê-la. Mas não por muito tempo, pois não tinha força de vontade, e então comeu novamente bacon, mas agora, depois do prazer vinha uma grande sensação de culpa e depressão.
Um dia, se aproximou de uma fogueira e não resistiu: botou as patas no fogo e começou a se devorar até não restar nada.
Um dia, se aproximou de uma fogueira e não resistiu: botou as patas no fogo e começou a se devorar até não restar nada.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Já faz uns anos que li 1984, mas até hoje costumo me lembrar desse livro frequentemente. Um tema de que me lembrei hoje foi a crença que o protagonista tinha de que os proles - a massa - tinham a força de rebelarem-se contra o sistema que oprimia todas as classes da sociedade. E realmente tinham, mas não se davam conta disso. Isso me faz pensar nas recentes tentativas que têm havido de criar uma mobilização geral por meio das redes sociais. Consegue-se atingir uma parte da população que é sempre a mesma: a classe artística, intelectuais e pseudo-intelectuais (que palavra feia essa), professores, enfim, as pessoas que pensam. Mas com apenas essa parcela não é possível fazer nada de concreto. E imagino que o que se tem tentado é justamente ultrapassar as barreiras dessa classe e mobilizar a massa. Desculpe o pessimismo, mas essa massa é muito dura pra se mover.
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